se em minha têmpora
um cano frio encostasse
e do outro lado
o cão calmo farejasse
e se meu coração não
disparasse.
tranqüilo calmo
sereno,
batendo em carinhos amenos.
eu, sorteando meu
destino,
soltaria o cão
como numa brincadeira de menino...
frases soltas, poesias inúteis sobre temas desnecessários, idéias que um dia podem se destransformar, um blog para perpetuar enquanto existir o oco.
sexta-feira, 3 de agosto de 2007
quinta-feira, 12 de julho de 2007
as voltas do mundo
estamos ferrados.
vivemos
num labirinto
que basta andar em circulos
e estamos perdidos...
vivemos
num labirinto
que basta andar em circulos
e estamos perdidos...
tempos
tempos, tempos, estranhos
tempos,
sempre foram assim
ou só agora percebi?
antes pelo menos
tinham cara
de outros tempos...
tempos,
sempre foram assim
ou só agora percebi?
antes pelo menos
tinham cara
de outros tempos...
sorte
nos tempos de minha vó
era sorte encontrar
um alfinete
num palheiro.
agora, nos modernos tempos
dos netos
sorte?
é não encontrar
bala perdida numa avenida...
era sorte encontrar
um alfinete
num palheiro.
agora, nos modernos tempos
dos netos
sorte?
é não encontrar
bala perdida numa avenida...
quarta-feira, 4 de julho de 2007
verde
filho de índias estupradas
nasci um velho safado
cheio de vícios
desbocado
mal mamei nas tetas
já espancava
minhas jovens mães pretas
lambia meus beiços com cana
café ouro gado
enquanto
morriam subnutridos
meus esfarrapados
empregados
aprendi desde cedo
desfazer honestidades
esconder provas
testemunhas
inventar novos suspeitos
500 e poucos anos de escola
agora formado
uma nação
com estrelas estampadas no peito
um pau brasil torto, impotente
que não tem jeito...
nasci um velho safado
cheio de vícios
desbocado
mal mamei nas tetas
já espancava
minhas jovens mães pretas
lambia meus beiços com cana
café ouro gado
enquanto
morriam subnutridos
meus esfarrapados
empregados
aprendi desde cedo
desfazer honestidades
esconder provas
testemunhas
inventar novos suspeitos
500 e poucos anos de escola
agora formado
uma nação
com estrelas estampadas no peito
um pau brasil torto, impotente
que não tem jeito...
terça-feira, 5 de junho de 2007
alquimia
meditando nu ao luar
lá pelas tantas da madrugada
uma dúvida me condensava,
seria sereno ou orvalho
o que me molhava?
meditava
sendo sereno e orvalho
a mesma gota
nada mais no mundo me interessava...
seria o sereno
o vapor antes da gota?
ou a gota antes da luz do sol?
o orvalho é o sereno que evaporava?
queria ter quatro anos e responder sem demora:
sereno, é o xixi da lua
orvalho, é o suor do sol
porém, na minha idade
preciso recorrer a alquimia
transformando todo dia
o sereno da madrugada
em orvalho
faça chuva ou faça sol.
ps: ainda vou terminar...
lá pelas tantas da madrugada
uma dúvida me condensava,
seria sereno ou orvalho
o que me molhava?
meditava
sendo sereno e orvalho
a mesma gota
nada mais no mundo me interessava...
seria o sereno
o vapor antes da gota?
ou a gota antes da luz do sol?
o orvalho é o sereno que evaporava?
queria ter quatro anos e responder sem demora:
sereno, é o xixi da lua
orvalho, é o suor do sol
porém, na minha idade
preciso recorrer a alquimia
transformando todo dia
o sereno da madrugada
em orvalho
faça chuva ou faça sol.
ps: ainda vou terminar...
meditando nu ao luar
serenava toneladas
em mim
ser sereno era meu fim
findava noite
raiava sol
enquanto eu puto da vida
gritava: atchim,
atchim, atchim...
em mim
ser sereno era meu fim
findava noite
raiava sol
enquanto eu puto da vida
gritava: atchim,
atchim, atchim...
segunda-feira, 4 de junho de 2007
sofrer faz parte da piada
sinto você tão ausente
de vez enquando
nem parece que sou
gente
pareço toco de cigarro
pisado
cabelo caido no
ralo
melhor na época
quando eu era mais
que sola de sapato
furado.
você pisava
maltratava
chutava
com bico fino
do sapato alto...
eu adorava.
de vez enquando
nem parece que sou
gente
pareço toco de cigarro
pisado
cabelo caido no
ralo
melhor na época
quando eu era mais
que sola de sapato
furado.
você pisava
maltratava
chutava
com bico fino
do sapato alto...
eu adorava.
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