quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

silêncio

o vento havia, faz tempo,
morrido.
hoje
aqui ou ali
nem silencio
nem silencio
existia
havia
é claro
céu azul
amarelo
dourado
combinado
com o desbotado
dos meus dentes
amarelados
param quando
passam nuvens
pisco e pulam
nuvens sozinhas
moscas sem zumbido
nuvens
cai
agua
distâncias
enormes
e meu peito
e meu peito
escuro…escuto…
meu peito.
seco, seco
o ar
atrapalha minha língua
sozinha
esbarra sozinha
rainha sem reino
livro fechado….
e na alma
ali debaixo
dos cabelos
finos,
o persistente
pensar…
não para, não passa, não deixa…
em paz
meu peito.

sábado, 29 de outubro de 2011

um devaneio de veneta na varanda

passo perdido
dia noite sol
chuva brisa
esquina chegada ou partida
passo perdido
porta janela buraco fossa
perdido
caminho mais claro
céu nuvem azul
branca alva alva
a estrela mais clara
demais azul
caminho
chuva quando sol a pino
cuca fresca seca
pista piso
passo sempre perdido...

boca amiga minha

boca amiga minha
diga qualquer coisa
qualquer coisinha
diga paixão
diga alegria
só não diga
que meu riso
não te faz nem cosquinha...

que carinho eu vou te dar

que carinho
eu vou te dar?
um beijo antes de você acordar?
um beijo assim enquanto dormindo e acordando?
um beijo antes do almoço?
um beijo com gosto de manjericão e azeite?
um beijo de sobremesa?
um beijo pavê de capuccino?
não, um beijo de fim de tarde não,
beijo de fim de nada
beijo começo de tudo
beijo começo de noite
beijo beiju cuzcuz cafezinho com leite
janta leve...
beijo na boca com gosto de boca
beijo no pescoço com gosto de pele
beijo no pé com gosto de fetiche
beijo no umbigo
começo do melhor de tudo
beijo onde começa e termina meu mundo...

pedido antes de ir

vou, embora
queira ficar
querendo ficar cada vez mais...
vou ficando um minuto a mais
a cada metro que você fica para trás...
vou ficando, sem querer
ficar
vou indo querendo voltar
vou voltando
querendo não querer
vou querendo querer cada vez mais você
vou desistindo resistindo te rever
vou querendo te esquecer
esquecendo querendo te ter
vou ficando para não ter que voltar.
vou voltando
pra te esquecer,
te esquecendo
pra ter você,
indo ou vindo
chorando
passando ou rindo.
fica querendo
me querer,
que eu esqueço de te esquecer ...

sábado, 11 de dezembro de 2010

envelhecer

a certa hora
que não era
nem beija nem flor
nem arco nem íris
nem guarda nem chuva
seguindo migalhas
de pão
vi cotovias
pousadas
em nuvens
vi peneiras carregando
água,
éguas a léguas
de pernas cruzadas
meninos que brincavam
de fazer elos
amarelos
em flores de lotus
vi esse agora
quando já era tarde
para ser
a criança
que eu já havia
deixado morrer...

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

quarto de hotel



onde?
qual o cheiro do
quarto que te esconde?
em que cama
descansa sua ausência?
em que cama pesam mais suas culpas
que suas coxas

para onde aponta a janela
fechada do seu quarto?

para onde aponta a janela
que não existe de sua alma?

inspirado em edgar hopper, Quarto de Hotel.
http://echostains.files.wordpress.com/2009/07/hotel_room_by_edward_hopper-1931.jpg

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

vento noturno


a cortina ainda ali
parada
desenhada pelo contorno do vento

a moça ainda ali
nua
desenhada pelo contorno do vento

a cama ainda ali
pronta
desenhada pelo contorno do vento

a janela
ali ainda
aberta
deixando o vento desenhar...

e que rosto
teria a moça
se não fosse o vento
que a fez nunca me olhar.


inspirado em edgar hopper, Vento Noturno.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

escuro

pela fresta da janela
amanheceu o dia
era luz entrando
lembrando que ele nao dormia...

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passa tudo,
passa posto poste boiada
passa até chuva
só não passa madrugada

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por fim
amanheceu.
e era fim tudo que ele sentia.
fim da noite
sem começo do dia.

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até madrugada passa
e num instante com hora marcada
tudo já é madrugada iluminada.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009