segunda-feira, 6 de julho de 2009

domingo

ao cair do dia
fui tomado por um desejo incontido
de fazer poesia
escrevendo e andando em voz alta
tropecei no primeiro verso
escoreguei na segunda linha
só não cai de cara no chão
por que em poesia basta um rabisco preciso
e o chão de concreto
vira uma almofada de ...
pena de ...
AVIÃO!
e sai voando pelo ceú dos olhos de quem um dia me leria...

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

separações

te vi passando pelos cantos
alheia a olhares
te vi sussurrando passos
pisando poças
passando
como se passar não bastasse
te vi querendo parar, cansada...
te vi querendo acelerar o dia..
engolindo as noites...

mas passar não basta.
antes um pouco de grito
de fogo e de fumaça
antes tudo re-começasse
antes que a dor do fim
acabasse.
volta a lembrança boa.
volta aquela tarde.
volta a dor
por que voltar também faz parte.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

retirante

nem na chuva
se curva
nem na curva
se perde
quando o sol
omite a sombra
quando não sopra
nem brisa breve
pesa a pouca
trouxa
ronca acordada
a fome quente
chora ressecada sede
segue sempre
trôpego altivo
invisível em frente.



Texto inspirado na ótima fotografia de Diego Mascarenhas no blog Catapulta Imprecisa a foto é essa.

nua

a outra diz
fico nua porque posso
ora
ora bolas
só porque ela tem coisas
belas além das belas bolas
pode isso?
ela pode.
pode sim.
o nu
pode papa,
patinadora
pode toda gente
mesmo que sem dente
e sem pente.
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uma tal bela disse
que ficava nua porque podia.