sábado, 2 de novembro de 2013

poema longo

Escrevi 40 metros de poema
Pra você
Em papel dupla face
E perfume floral
Uma pena o que você fez com ele.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

av paulista


Na avenida paulista de frente pro mar
eu sentado em sombra de embaúbas
vendo de longe naus, motos...
carros, asfalto e corais...
telúricas tetas brancas nas janelas.
paulistanas pontuais
dançando apressadas,
saltos adestrados
pisando suave
no concreto macio dessa parsagada
poeira maresia
areia fina na brisa...
Sargaços...
brilhando, faróis...
Luzes mil
noite a dentro
Ondas quebrando nos pilares do Masp
O cheiro de queijo coalho
Invade a madrugada...
A rede esticada
Aproveita o sinal vermelho
Para descansar sobre a faixa,
todos param menos a rede que balança...
Nasce numa fresta de terra uma gerbera roxa de pvc, vergalhões, controles de ponto e bitucas acessas de cigarro
Por baixo da rede...
Botes, ferrys, cações ...
Passa aquele veleiro sem vento
brisa boa não empurra nem pensamento.
carregado por aratus avermelhados...
Passa desmaiado um homem com 1552 nós na gravata...
A moça do tempo
De biquini bondage
Disse chuva.
molhou tudo ...
Tudo exceto
Quem fumava nu nas esquinas...
Tatuadas.
O sotaque dos operários
Repetia.
E repetia...
Mas era sol e tudo refletia...
Era noite e já era dia...
aquela morena perdida
Jogava pequenas conchas do mar nas varandas fechadas
Esperando quem sabe o que ela esperava.
Morena devia ser cor
Deviam ser morenas as paredes...
Deviam ser morenas as flores...
Deviam ser morenas as nuvens...
As árvores, os montes, as ondas...
Os doces,
Os livros, as refinarias da petrobras a noite
Deviam ser morenas as revoluções
deixem a Juliet binoche fora disso...
São Paulo São Paulo
Achei sua melhor varanda...

seu peso

quanto pesa
seu corpo pequeno
e infinito?

sei,
que tudo
que é peso em você.
é muito menor
que a menor parte
do que pesa
meu desejo

sei do tamanho
da beleza
de cada grama do seu corpo,
e além.

não,
não sei,
minto,
deliro
sonho.

suor seu,
seu gosto?

não sei.

sei só da beleza
que todos sabem...
do que sabe o sol
não do que sabe a sombra
da persiana fechada...

mas se não sei
da sua beleza além
do que me mostra a luz do dia

imagino a beleza do seu
peso suando
tato e desejo.

imaginando.
delirio e sonho.
e assim sei tanto...
quanto apenas
memorias inteiras
de momentos que não foram...

eu, ignorante do que pesa
seu corpo.
só sei da beleza
do peso
de sua alma quase inteira
da pequena parte que me deu.

entretanto, sei com todas minhas certezas e
sonhos
que seu corpo
com seu peso inteiro
derramado sobre meu peito,
pesaria perfeito.

deixando

enquanto te esquecendo
sigo
deixo, não nego,
um tanto
desse sentir amargo
guardado
muito
bem dentro de mim...

terça-feira, 11 de junho de 2013

ordem das coisas

gostava da vida quando ainda não era o início da noite
nem fim do dia.
gostava das sombras largas.
daquele vento que batia 
pingando poeira

naquela eterna pequena alegria.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

desabafo

meu verso
não serve
como grito

meu verso
é silêncio

eco que vem
do que me enche
por dentro

meu verso
é o avesso
de qualquer coisa
maior que
um momento

meu verso
é quando
encontro gritando
em mim
o que era para ser
silêncio.




domingo, 28 de outubro de 2012

beijos

beijo:
desejo 
mais perigoso que o fato
desejou? 
cometa o ato.

beijos:
caso contidos,
provocam
suspiros, suores
e corações partidos.


terça-feira, 23 de outubro de 2012

melancoliazinha

não era solidão
era o oco
era a falta da carne
e a água rala
era a casca verde
e por dentro
não passava o tempo
não nascia
sol
só minguava
lua
era a falta
cheia de qualquer
coisa que fizesse
a alma sair pelo ladrão
era o destino
do buraco fundo
debaixo da chuva suja...

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

sobre ventos e chuvas


deixa aberta
janela Ravi
vem vindo vento, 
vem vindo chuva.
corre Ravi
deixa chuva entrar.
enquanto a chuva entra
vamos lá fora 
pular
vem Ravi
corre logo
antes que a primeira gota 
molhe primeiro 
o chão.
vem Ravi,
vem logo
antes do próximo trovão
vem ver lá no céu o corisco cortando
vem ver o que raio e o que é trovão
vem aprender Ravi
que correr para debaixo
de árvore
não pode não.
olha pro céu
pisa na poça
abre a boca...
respira fundo Ravi
corre 
que as vezes na vida
o melhor é deixar a chuva entrar….
e enquanto ela não passa, 
a gente se molha até cansar.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

salva vidas


o que eu quero?
um dia de folga a cada meio turno,
faça chuva ou faça sol.
mas se isso for muito,
fico contente, humildemente
com folga só nos dias quentes.

um lamento


olhando de longe,
e de hoje olhando ontem.
vejo meus sapatos
parados no mesmo capacho
gasto.
marcados com mil pegadas
de mim…
que nunca me levaram
além
do mesmo entrar e sair...

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

o resto

deixei na sua
mão
o que sobrou de mim

deixei resto, migalha
cada pedaço
uma parte
do fim

e quando inteiro
deixei o que não cabia
e tudo que faltava
deixei especialmente o que
me transbordava.













alegria I

venho pelo
meio desses mal
traçados dias...

vivendo
intensamente
minhas
pequenas alegrias










domingo, 23 de setembro de 2012

chove

lá na rua
fazia vento
fazia chuva
fazia frio.
nem gente
nem passo
nem passarinho.
lá na rua
fazia um rio.
a lâmpada piscava
a árvore tremia
um cachorro se encolhia
o cavalo nem se mexia.

lá na rua fazia um vazio

que aqui dentro
também fazia,
ainda maior que
a chuva
            que o vento
                                 que o frio...

passa

nem a dor que é tanta,
quando até parece
que a gente não cabe
na vida que sobra
ou na dor que avança,

dura tanto.

basta a vida ir:

vai dor, dia, mês,
vai até alegria.

até só ficar lembrança,
um suspiro
entre a meia-noite e
o fim do dia.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

silêncio

o vento havia, faz tempo,
morrido.
hoje
aqui ou ali
nem silencio
nem silencio
existia
havia
é claro
céu azul
amarelo
dourado
combinado
com o desbotado
dos meus dentes
amarelados
param quando
passam nuvens
pisco e pulam
nuvens sozinhas
moscas sem zumbido
nuvens
cai
agua
distâncias
enormes
e meu peito
e meu peito
escuro…escuto…
meu peito.
seco, seco
o ar
atrapalha minha língua
sozinha
esbarra sozinha
rainha sem reino
livro fechado….
e na alma
ali debaixo
dos cabelos
finos,
o persistente
pensar…
não para, não passa, não deixa…
em paz
meu peito.

sábado, 29 de outubro de 2011

um devaneio de veneta na varanda

passo perdido
dia noite sol
chuva brisa
esquina chegada ou partida
passo perdido
porta janela buraco fossa
perdido
caminho mais claro
céu nuvem azul
branca alva alva
a estrela mais clara
demais azul
caminho
chuva quando sol a pino
cuca fresca seca
pista piso
passo sempre perdido...

boca amiga minha

boca amiga minha
diga qualquer coisa
qualquer coisinha
diga paixão
diga alegria
só não diga
que meu riso
não te faz nem cosquinha...

que carinho eu vou te dar

que carinho
eu vou te dar?
um beijo antes de você acordar?
um beijo assim enquanto dormindo e acordando?
um beijo antes do almoço?
um beijo com gosto de manjericão e azeite?
um beijo de sobremesa?
um beijo pavê de capuccino?
não, um beijo de fim de tarde não,
beijo de fim de nada
beijo começo de tudo
beijo começo de noite
beijo beiju cuzcuz cafezinho com leite
janta leve...
beijo na boca com gosto de boca
beijo no pescoço com gosto de pele
beijo no pé com gosto de fetiche
beijo no umbigo
começo do melhor de tudo
beijo onde começa e termina meu mundo...