quinta-feira, 19 de abril de 2007

quarta-feira, 18 de abril de 2007

terça-feira, 17 de abril de 2007

tiroteio

depois do tiroteio
fiquei como estava...
deitado,
              caido
                                morto.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

segunda-feira, 2 de abril de 2007

borboleta

a gota lagarta parada
aguarda
criar asas em pingo
se transformar
encontrar o vazio
se dissipar
pisar o chão
se espatifar
a gota só existe
enquanto prisão do mar...

poema livremente inspirado na fotografia "Suor", publicada no dia 1 de abril de 2007 no blog do meu amigo Matheus Magenta.

sábado, 31 de março de 2007

desastre

50 toneladas de peixes
                                              mortos
peixes pesam.
não tem corpos.
em toda morte
um número exato de mortos
50 toneladas de peixes mortos
em janeiro
117 mortos pela polícia no Rio
7.6 toneladas de corpos
227 homicídios dolosos: 14.7 toneladas de corpos
peixes pesam
não tem corpos
50 toneladas de peixes mortos
até quando
teremos corpos?
72.3 toneladas de mortos.

sexta-feira, 30 de março de 2007

poema para conseguir o telefone da senhorita chinesa do bar sem nome...

senhorita,
confesso minha incompetência.
passei um minuto e meio,
tentando estudar toda cultura milenar chinesa...
durante todo este tempo dediquei-me integralmente ao assunto,
exaustivamente tentei, fracassei.
porém, não desisto facilmente.
durante meses
no meio dessa rua apressada
passo desviando olhares e
evitando esbarrões
passo esperando
encontra-la sorrindo.
em dias assim
tomo um pouco mais
de chuva
esqueço do calor,
passo lentamente,
decorando cada expressão daquele instante
que demora menos que alguns segundos
mas não esqueço.
posso descrever detalhes de todos
sorrisos que já passaram
os mais alegres,
uns morenos, nas segundas depois da praia,
sorrisos cansados nas sextas
e ainda pintados com a
maquilagem da festa passada.
todos lindos.

senhorita,
por isso lhe proponho.
se em alguns segundos posso saber tanto
sobre seus sorrisos
se me desse alguns minutos de seu
tempo,
num momento qualquer do seu dia
tenho certeza que não fracassarei
em conhecer um pouco mais da milenar
cultura chinesa...

ps: antes que minha amada mulher ache que estou paquerando um chinesa, deixo claro que este texto é puramente ficcional, inspirado num belo texto do meu amigo Leo: http://blog.xleox.org/labels/Sr.Ling.html

ps 2: ainda não terminei este texto.

quinta-feira, 29 de março de 2007

poema tirado de um livro de Bandeira

andorinha
que passava a vida à toa à toa
cantou,
bebeu,
dançou
depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas
e aprendeu a nadar.

"mixagem" dos poemas: andorinha e poema tirado de uma notícia de jornal, ambos do livro Libertinagem do grande Manuel Bandeira.

farelos de pão

entre
  miga
for   lhas
  migas
---------------------------------------
formigas em fila
íntima
carregam queixosas
o resto do meu almoço