quinta-feira, 17 de julho de 2008

poemas contratuais sobre cheiros

nada de promessas.
graças só valem de graça

acordei pensando em pedir
a deus
um pedido
bem simples.
nada comparado
aos que lhe pedem aqueles homens ajoelhados ...
nem aqueles outros
pedidos comprados
"te dou meus calos ou até mesmo meus carros"
meu pedido quero que venha de graça
ter meu corpo transformado
em cinzas com cheiro de sândalo
e sem fumaça...

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pedidos e promessas

se eu cheirasse
a sândalo permanentemente
da hora que acordo
até a hora que acordo novamente
e todas as moças olhassem pra mim
de um jeito
diferente
prometo rezando ajoelhado
nada de me meter
nas menores
e com as muito maiores
eu seria profundamente indiferente.
(com as casadas
não promento nada.)
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viva-gula

se eu fosse um cheiro
queria ser daqueles que não desse só
vontade de cheirar.
tipo:
torta de chocolate, café, pão quentinho....
queria um que cheirando só um pouco
já desse vontade de
(descer a roupa e )
provar.

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escambo

troco com você
meu cheiro
pêlo teu.

segunda-feira, 31 de março de 2008

lei da reciprocidade

em qualquer coisa
que me escrevem
e-mail carta ou charada
para cada letra que encontro
conto
devolvo resposta na medida
exata.
letra por letra.
mesmo que minha
história,
meio e fim sem início
fique mal contada.

segunda-feira, 3 de março de 2008

tédios & cotidianos

tremo as mãos traçando textos sobre tédios
e outras tantas ranhuras nos versos sobre cotidianos e restos.
desisto,
tremo diante dos espinhos que brotam de dentro para fora,
não dos cactos que vivem ao chicote do sol
e aos solavancos do vento,
(vitória lenta...)
tremo diante dos espinhos que brotam entre costelas e vértebras
em movimento,
(veneno lento...)
o sol não passa de
um fosco toco de brasa,
no céu nada passa
nem chuva
urubu ou garça
consciente de tudo que me assombra,
acordo?
aparo a barba com letárgica calma
fazendo do roçar da lâmina
o único carinho em minha alma.

manco

abatido
sigo manco
mandando flores
aos trancos e barrancos
quando seguir não parece um avanço
planto brotos
bóio cocos
escalo pinheiros
abatido
sigo manso
esperando flores
que nascem pelos cantos...

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

fazendo um poema em 20 minutos

20 minutos
para um poema
um qualquer que seja
que saia com pressa
que fique com calma...
20 minutos
para um poema
que mereça
60 segundos de atenção...
mas,
tempo esgotado.
20 minutos passados
um poema ainda não terminado
nenhum verso escrito
em vão,
mesmo os versos rasgados
abandonados se escondem nas entrelinhas
dos que ficaram marcados...
por sorte sou poeta
não sou pedreiro
volto meu relógio
para o zero
20 minutos
para um poema
um qualquer que seja...
20 minutos que durem
60 segundos de atenção...

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

roleta russa

se em minha têmpora
um cano frio encostasse
e do outro lado
o cão calmo farejasse
e se meu coração não
disparasse.
tranqüilo calmo
sereno,
batendo em carinhos amenos.
eu, sorteando meu
destino,
soltaria o cão
como numa brincadeira de menino...

quinta-feira, 12 de julho de 2007

as voltas do mundo

estamos ferrados.
vivemos
num labirinto
que basta andar em circulos
e estamos perdidos...

tempos

tempos, tempos, estranhos
tempos,
sempre foram assim
ou só agora percebi?
antes pelo menos
tinham cara
de outros tempos...

sorte

nos tempos de minha vó
era sorte encontrar
um alfinete
num palheiro.
agora, nos modernos tempos
dos netos
sorte?
é não encontrar
bala perdida numa avenida...

quarta-feira, 4 de julho de 2007

verde

filho de índias estupradas
nasci um velho safado
cheio de vícios
desbocado
mal mamei nas tetas
já espancava
minhas jovens mães pretas
lambia meus beiços com cana
café ouro gado
enquanto
morriam subnutridos
meus esfarrapados
empregados
aprendi desde cedo
desfazer honestidades
esconder provas
testemunhas
inventar novos suspeitos
500 e poucos anos de escola
agora formado
uma nação
com estrelas estampadas no peito
um pau brasil torto, impotente
que não tem jeito...